quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A ASSOMBRAÇÃO DA CASA DA COLINA, de Shirley Jackson


Description:
Quatro pessoas - Dr. John Montague, investigator do sobrenatural; a tímida e reclusa Eleanor; a sensual e determinada Theodora; e o jovem Luke, herdeiro da casa - se hospedam na supostamente assombrada Casa da Colina, a fim de observar e estudar os fenômenos paranormais e estranhos ali existentes e até então sem explicação.

A crítica do Wall Street Journal e Stephen King, em seu livro Dança Macabra, colocam o livro como "uma das maiores histórias de casa mal-assombrada já escritos" e "um dos melhores e mais importantes romances de terror do século 20". The Haunting of Hill House foi escrito em 1959 por Shirley Jackson, importante autora da literatura norte-americana do pós-segunda guerra, que influenciou artistas como Neil Gaiman, Stephen King e Richard Matheson. Shirley Jackson constrói minuciosamente um clima de medo e tensão, sem jamais resvalar para o óbvio e explícito, num brilhante romance que merece ser lido por todos os amantes da literatura fantástica.

Ingredients:
Como exemplo das qualidades literárias de A Assombração na Casa da Colina, eis aqui os parágrafos de introdução das partes I e II do romance de Shirley Jackson, que por si só já falam muito:

I

"Nenhum organismo vivo pode existir com sanidade por longo tempo em condições de realidade absoluta; até as cotovias e os gafanhotos, pelo que alguns dizem, sonham. A Casa da Colina, nada sã, erguia-se solitária em frente de suas colinas, agasalhando a escuridão em suas entranhas; existia há oitenta anos e provavelmente existiria por mais outros oitenta. Por dentro, as paredes continuavam eretas, os tijolos aderiam precisamente a seus vizinhos, os soalhos eram firmes e as portas se mantinham sensatamente fechadas; o silêncio cobria solidamente a madeira e a pedra da Casa da Colina, e o que por lá andasse, andava sozinho."

II

"Nenhum olho humano pode isolar a coincidência infeliz de linhas e locais que sugerem malignidade na fachada de uma casa. E no entanto alguma justaposição demente, algum ângulo defeituoso, algum encontro fortuito de telhado e céu transformavam a Casa da Colina em um lugar de desespero, mais amedrontadora porque a fachada da Casa da Colina parecia estar acordada, vigiando pelas janelas vazias e erguendo com sarcasmo a sobrancelha de uma cornija. Quase todas as casas, tomadas de surpresa ou vistas de um ângulo inesperado, podem olhar humoristicamente alguém que as observe; até uma chaminé brincalhona, ou uma janelinha de água-furtada que parece uma covinha, podem dar ao observador um senso de camaradagem; mas uma casa arrogante e cheia de ódio, sempre defensiva, só pode ser maligna. Essa casa, que parecia de alguma forma ter se formado por si só, aglomerando-se em seu poderoso molde sob as mãos de seus construtores, acomodando-se em sua própria construção de linhas e ângulos, erguia sua enorme cabeça contra o céu sem qualquer concessão à humanidade. O exorcismo não pode alterar o semblante de uma casa; a Casa da Colina ficaria assim como estava até ser destruída."

Directions:
A Assombração da Casa da Colina
(The Haunting of Hill House)
de Shirley Jackson. 1959.
Tradução de Edna Jansen de Mello.
Capa de Jader Marques Filho.
Coleção Mestres do Horror e da Fantasia.
Editora Francisco Alves, 1983.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Espécies extintas


"Esse Rio de Janeiro! O homem passou em frente ao Cinema Rian, na Avenida Atlântica, e não viu o Cinema Rian. Em seu lugar havia um canteiro de obras. Na avenida Copacabana, Posto 6, passou pelo Cinema Caruso. Não havia Caruso. Havia um negro buraco, à espera do canteiro de obras. Aí alguém lhe disse: 'O banco comprou.' (...)"

(Carlos Drummond de Andrade, na crônica "Os Cinemas Estão Acabando")

* * *

Uma das coisas que mais me dói ao andar pela minha cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro é constatar a extinção dos grandes cinemas de rua. Tudo bem, sei que sou nostálgico, me assumo como tal, sei que há prós e contras quanto à nostalgia, mas tenho saudades do Rio da minha infância e adolescência sim, qual o problema?

A tal da globalização neo-liberal já devastou muita coisa nesse mundo, entre elas as grandes salas de cinema de rua, e deu boas-vindas aos nefastos conglomerados ianques como Cinemark e UCI, entocados nos shopping centers. São salas confortáveis, com apoio pro refrigerante, boa projeção e som digital, mas e daí? O que perdemos com isso? Trocou-se o sagrado ritual de ir ao cinema (ao menos para mim) por "fazer uma horinha" entre uma compra e outra nos movimentados shoppings da cidade. Em vez de comprar um ingresso e poder assistir ao filme quantas sessões desse na veneta - direito inalienável até há alguns anos atrás -, os cineminhas de shopping expulsam você "delicadamente" no fim da sessão. É o mesmo espírito do fast food: o fast movie, de alta rotatividade e a "filosofia" do tô-pouco-ligando-pra-se-você-gosta-de-cinema. Magia do cinema? O que é isso mesmo?

Tenho muitas saudades dos cinemas da minha infância. Lembro bem do cine Azteca (foto da direita, colorida), na rua do Catete, 228, onde hoje funciona o Centro Comercial do Catete. Foi nesse verdadeiro templo que assisti à maioria dos filmes de Walt Disney. Aí e no saudoso cine Vitória, na rua Senador Dantas, no Centro do Rio, que hoje virou estacionamento. Dá para acreditar que esse prédio sensacional da foto, que imitava um templo asteca estilizado, com 1780 lugares, foi posto abaixo para a construção de um centro comercial fuleiro? Pois é. É o tal do "progresso".

Tenho muito orgulho de ter visto "Guerra nas Estrelas", "King Kong" (76) e "Um Passe de Mágica" no grande São Luiz, no Largo do Machado, quando era um cinema só, gigantesco, com vários andares de galerias e um lustre descomunal pendendo do teto. Saboreei "Contatos Imediatos do Terceiro Grau", "Um Convidado Bem Trapalhão" e "1941" no Pathé, na Cinelândia, segunda sala de cinema do país e hoje lamentavelmente transformado em Igreja Universal. Mergulhei em "20.000 Léguas Submarinas" no cine Império, também na Cinelândia, e do qual hoje não sobrou nenhum resquício, virou um prédio comercial com janelas de vidro fumê.

Viajei com "Blade Runner" no cine Rian (foto embaixo à esquerda), de frente para a Praia de Copacabana, com cerca de 1000 lugares, que em 1983 deu lugar a um hotel. Me assombrei com "O Iluminado" no cine Ópera, na Praia de Botafogo, que virou loja da Casa & Vídeo. Delirei com "Pink Floyd - The Wall", "Janela Indiscreta" e "Paris, Texas" no cine Veneza, fechado até hoje e prometido para ser reaberto como centro cultural. Mas cadê patrocínio? E cadê aquele mega-cinema que abriu o FestRio 1984?

O cine Palácio, no Passeio Público foi um caso à parte. Tido como cinema de referência para os produtores e distribuidores de cinema (já ouvi produtor de cinema brasileiro dizendo que se um filme foi bem no Palácio, iria bem no Brasil inteiro), foi minuciosamente reformado há poucos anos, serviu de sede de alguns festivais de cinema e de outros eventos, pra fechar as portas em definitivo há cerca de dois anos atrás, após ser comprado por um hotel das redondezas. Reformaram a fachada original, dos anos 30, época da inauguração do Palácio, e PRA QUÊ? Pra doer mais ainda vê-lo de portas cerradas, às escuras, com destino incerto. Mas para não fugir à regra, foi no Palácio que esbarrei com Robert De Niro ao sair de uma sessão de "Brazil - o Filme" de Terry Gilliam (onde De Niro fez uma participação). Foi lá também que vi "Alien", "Dublê de Corpo" e "O Iluminado" dublado. Entre centenas de outros filmes.

Porém o cinema do qual mais sinto falta é o extraodinário METRO BOAVISTA (foto), também no Passeio Público, ao lado de onde era a Mesbla (que também acabou e virou Lojas Americanas), simplesmente O MELHOR CINEMA que essa cidade já conheceu. Foi onde me deleitei com a grande maioria dos filmes de Steven Spielberg - entre muitos outros. Quem nunca foi ao Metro Boavista não consegue imaginar como era a experiência sensorial de acompanhar Indiana Jones em busca da Arca da Aliança, das Pedras de Sankhara e do Santo Graal naquela imensa tela côncava, com som impressionante, 952 cadeiras confortabilíssimas, ar sempre gelado e pipoca sempre quentinha. Era o paraíso na Terra para qualquer um que ama o cinema!

Hoje - salvo engano - sobram apenas o Odeon, o Roxy e o Leblon nas ruas do Rio de Janeiro. Enquanto isso a maioria das pessoas se aglomera em salinhas minúsculas nos shopping centers da cidade. E o pior é que acham o máximo! Definitivamente a ignorância é uma bênção.

Quando eu ganhar na mega-sena, compro o Metro Boavista e mostro a vocês como se assiste cinema de verdade.

sábado, 3 de julho de 2010

Sentido da vida

Uma coisa eu aprendi. De todas as pessoas que conhecemos - do jornaleiro da esquina até nossos pais e amigos mais próximos - 70% pouco se importam conosco. 25% torcem pra que a gente se ph*#@. 4% ficam felizes com nosso sucesso. E 1% REALMENTE se sentem realizados com nosso sucesso como se fossem deles próprios.

Os amigos verdadeiros são o sentido da vida. Coisa muy rara hoje em dia.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

INCOERÊNCIAS DE QUEM CURTE FUTEBOL NA COPA

Texto do blog Planeta Laranja (http://planetalaranja.blogspot.com/2010/06/incoerencias-de-quem-curte-futebol-na.html), copiado aqui porque faço minhas as palavras do autor.

* * * * * * * *

Bom, hoje começa a tal copa do mundo. Nota-se uma gigantesco fanatismo, caracterizado pela obsessiva atração pelo campeonato que acontece a cada 4 anos. Não se vê esse doentio amor em outros setores da humanidade e nem em outros campeonatos esportivos.

Eu resolvi fazer uma lista de incoerências relacionadas com os "patriotas de copa", esses fanáticos que pensam que estão certos só porque cultuam algo que a maioria cultua (Marias-vão-com-as-outras?). Como o fanatismo é algo irracional e doentio, absurdos são muito comuns na hora de defender essa verdadeira mania nacional que incomoda quem quer fugir dessa hipnose coletiva.

Vamos a nossa listinha de absurdos:

- Confundem a "seleção" com o próprio país e acham que os jogadores representam o nosso povo.

- Tratam o futebol como dever cívico e não como uma mera forma de diversão.

- Nunca são patriotas em assuntos sérios. Mas na copa passam a "amar" o Brasil.

- Só gostam da seleção oficial de futebol (a que joga nesta copa). Outras modalidades de futebol (feminino, júnior, salão, praia) são ignoradas pelos mesmos.

- Acham que os jogadores fazem uma importante missão caridosa e heróica, apenas empurrando as bolas nas traves.

- Os torcedores acham que não são manipulados pela mídia, mas fazem tudo perfeitamente como mandam os meios de comunicação.

- Falam que os jogadores da "seleção" são patriotas. Mas a maior parte deles joga e mora em outros países.

- Os torcedores canalizam a alegria que não tem na vida à vitória da "seleção" em uma copa.

- Essa seleção oficial de futebol (atualmente chefiada pelo treinador Dunga) é conhecida apenas como "seleção", como se não existisse seleção de outras coisas.

- Acham que os jogadores representam o povo brasileiro.

- Acham justo que um jogador ganhe fortunas sem sequer completar o ensino básico (primário) enquanto quem se forma em faculdade tem dificuldade de encontrar emprego e quando encontra, ganha muito menos do que merecia.

- O país interrompe suas atividades para ver um jogo da "seleção".

- Quem não costuma gostar de futebol passa a gostar em época de copa, por achar que é um "dever cívico".

- Se acham no direito de fazer barulho na hora que querem sem respeitar o direito dos outros ao sossego.

- Falam mal do Galvão, mas é com ele que querem assistir os jogos. Ele é uma "cheerleader" perfeita.

- O Hino Nacional Brasileiro é quase sempre relacionado aos eventos de futebol.

- Todo jogador é considerado "um anjo", "bom caráter", e não há escândalo que tire de cada um deles essa reputação.

- Querem que a "seleção" vença de qualquer maneira, como se ela fosse mudar o destino de nosso país.

- Quando percebem que alguém não curte futebol, esse alguém é tratado como uma ameaça, um inimigo a ser evitado, mesmo que quem goste de futebol tenha todo o apoio da mídia e de toda a sociedade.

- Deixam de comprar o necessário para comprar algum supérfluo relacionado à copa. E ainda acham que não é supérfluo.

- Os torcedores têm a ilusão de que estão fazendo algo de importante para a nação e que os jogadores irão retribuir o carinho dos mesmos torcedores.

- Chegam a fazer orações, novenas, procissões sérias para que a "seleção" ganhe o campeonato.

- Acreditam que quando o Presidente da República recebe a seleção, está recebendo na verdade os "soldados" que irão "defender a nação" em uma "guerra".

- Também acreditam na impossibilidade de falcatruas e maracutaias para ajudar a "seleção" a vencer na moleza. Mesmo sendo a pátria do "jeitinho", os torcedores acreditam que a "seleção" é honesta.

- No desespero, querem associar a paixão esportiva à ciência, à rebeldia, à politização ou a valores mais elevados, na tentativa de negar a futilidade desse ufanismo.

- Os torcedores chamam quem não gosta de louco, mas quem gosta é que assume características de desequilíbrio mental ao demonstrar seu amor ao futebol.

- E mesmo nessa incoerência toda, os "patriotas de copa" vivem dizendo que são "inteligentes" e "conscientizados" e se irritam, quando são chamados de alienados.

- E quando a copa acaba, mesmo com a "seleção" campeã, volta tudo como era antes, provando que toda a dedicação fanática em prol de 11 amarelados sempre é algo totalmente fútil e inútil.

Ora, me deixem dormir!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Curso O HORROR NA SALA ESCURA - A HISTÓRIA DO MEDO NO CINEMA

MEU NOVO CURSO COMEÇA SEMANA QUE VEM, PESSOAL!!!!!!!!!!!!

Curso
O HORROR NA SALA ESCURA - A HISTÓRIA DO MEDO NO CINEMA
Com o professor Oswaldo Lopes Jr. (este que vos escreve)
Data de início: 06 de maio, quinta-feira
Horários: Toda as quintas, de 19h às 22h
Duração: de maio a agosto
Carga horária: 14 aulas de 3h cada, total: 42h

Local e inscrições: GUITAR CLUB RJ - Rua Visconde Pirajá, 303/206, Ipanema, Rio de Janeiro/RJ - tel.: (21) 2247-9321 - www.guitarclub.com.br

sábado, 10 de abril de 2010

OOMPA LOOMPA SONGS

Ontem consegui uma trilha sonora que nunca imaginava conseguir um dia: "A Fantástica Fábrica de Chocolates", o filme original de 1971, com Gene Wilder!!! Trilha de Leslie Bricusse, com os temas inesquecíveis "Pure Imagination" e "Oompa Loompa"!!! E surpreendentemente o CD é nacional!!! E é claro fui atrás da letra das canções dos Oompa Loompas!

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OOMPA LOOMPA SONGS
De Leslie Bricusse & Anthony Newley,
do filme "Willy Wonka and the Chocolate Factory" (1971)

Oompa Loompa doompety doo
I've got a perfect puzzle for you
Oompa Loompa doompety dee
If you are wise you'll listen to me

What do you get when you guzzle down sweets
Eating as much as an elephant eats
What are you at, getting terribly fat
What do you think will come of that
I don't like the look of it

Oompa Loompa doompety da
If you're not greedy, you will go far
You will live in happiness too
Like the Oompa Loompa doompety do
Doompety do

* * * * * * * * * *

Oompa Loompa doompety doo
I've got another puzzle for you
Oompa Loompa doompedah dee
If you are wise you'll listen to me

Gum chewing's fine when it's once in a while
It stops you from smoking and brightens your smile
But it's repulsive, revolting and wrong
Chewing and chewing all day long
The way that a cow does

Oompa Loompa doompety da
Given good manners you will go far
You will live in happiness too
Like the Oompa Loompa doompety do

* * * * * * * * * *

Oompa Loompa doompety doo
I've got another puzzle for you
Oompa Loompa doompety dee
If you are wise you'll listen to me

Who do you blame when your kid is a brat
Pampered and spoiled like a siamese cat
Blaming the kids is a lie and a shame
You know exactly who's to blame
The mother and the father

Oompa Loompa doompety da
If you're not spoiled then you will go far
You will live in happiness too
Like the Oompa Loompa doompety do

* * * * * * * * * *

Oompa Loompa doompety doo
I've got another puzzle for you
Oompa Loompa doompedah dee
If you are wise you'll listen to me

What do you get from a glut of TV
A pain in the neck and an IQ of three
Why don't you try simply reading a book
Or could you just not bear to look
You'll get no
You'll get no
You'll get no
You'll get no
You'll get no commercials

Oompa Loompa doompety da
If you like reading you will go far
You will live in happiness too
Like the - Oompa -
Oompa Loompa doompety do