Mostrando postagens com marcador arte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador arte. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 15 de maio de 2009

A LUCIDEZ DE BRAULIO TAVARES

Braulio Tavares é escritor, poeta, compositor, pesquisador de ficção científica e literatura fantástica, colunista de jornal e escreve roteiro para shows, cinema e televisão. Este ensaio foi publicado no Jornal da Paraíba em 11 de fevereiro de 2009, e no site http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3664261-EI6622,00-Comentario+convidado+O+antiintelectualismo.html . Precisamos de mais pessoas que pensem e ajam assim no Brasil.

O anti-intelectualismo

Por Braulio Tavares*

Um amigo meu foi assistir o Ensaio Sobre a Cegueira de Fernando Meirelles e comentou comigo que um jornal paulistano se referiu desdenhosamente ao filme como "uma mera tentativa de fazer filme de arte". Achei engraçado esse menosprezo ao conceito de Cinema de Arte, que para mim não difere do Teatro de Arte, Pintura de Arte, Poesia de Arte... Parece que nestas outras áreas o termo "arte" é tão subentendido que se torna supérfluo, mas no cinema, uma mídia bastarda, tecnológica, popularesca, "divertimento de feira", é preciso fazer a distinção. E nos dias que correm, ao que parece, essa distinção desvaloriza a arte em benefício do "entretenimento".

Comparei essa frase a outra que li no mesmo dia na Folha de São Paulo sobre o recente CD de Lenine. O cara dizia (não exatamente assim, cito de memória): "Lenine é um artista inteligente, ou seja, já está a meio caminho de se tornar um mala." Esclareço que no Sudeste "mala" não quer dizer "malandro, esperto", como na Paraíba, e sim "um chato", a famosa "mala sem alça". Para esse jornalista, ser inteligente é meio caminho para ser chato. Imagino que com isto ele queira exigir dos artistas que sejam meio burrinhos para poderem ser compreendidos e assimilados pelos milhões de burrinhos que constituem O Público.

Por que esse preconceito contra a arte e a inteligência? Faço esta pergunta em benefício próprio, porque gosto de arte, me considero inteligente, e acho que ser inteligente é ser menos propenso à chatice do que ser burro. E nestes últimos quarenta anos tenho percebido uma tendência interessante. A cada década que passa, aparece mais gente querendo desvalorizar conceitos como inteligência, cultura, intelectualidade, erudição, profundidade e tudo o mais.

Se um artista é associado a qualquer desses termos, logo é acusado de elitista, incompreensível, esnobe, inimigo das "pessoas comuns", enfim, um "mala sem alça", um cara chato, pedante, que não deixa os outros se divertirem.

Acho que isto tem a ver com uma certa mentalidade mau-caráter que a cada década vem ampliando seu espaço no Brasil. É a mentalidade conhecida como a malandragem (no pior sentido), o golpismo, a "lei-de-Gérson", o conto-do-vigário, o blefe. Esses indivíduos são os principais adversários de tudo que se diga inteligente, intelectual, culto, etc. Por que? Porque o contrário de "inteligente" não é burro, é esperto: "ichperto", espertalhão, trambiqueiro, cascateiro, picareta, um-sete-um. O espertalhão não gosta dos inteligentes porque estes não caem com facilidade nos seus golpes. (Caem de vez em quando, claro - os inteligentes em geral são honestos, porque sabem que isto é mais benéfico a longo prazo, mas em compensação tendem a imaginar que todo mundo também é honesto.) Enquanto existirem inteligentes haverá alguém para abrir os olhos dos burros contra os golpes dos espertos, e isso é algo que os espertos morrem ciscando mas não admitem.


*Braulio Tavares é autor de A Espinha Dorsal da Memória, Mundo Fantasmo, A Máquina Voadora e O Que É Ficção Científica.

domingo, 5 de fevereiro de 2006

EU EM TRAÇOS




Algumas caricaturas que fizeram de mim ao longo dos anos, desde 1983 (pelo meu amigo Hélio Carvalho, artista plástico e professor da UFF) até os dias de hoje (pelo meu amigo Nei Lima, artista plástico, fotógrafo e exímio caricaturista). Alguns nomes e outros sobrenomes me escapam, perdoem, minha memória ainda é de um 486.

Sem desmerecer ninguém, quero enfatizar o desenho do Ricardo, que trabalhou comigo na agência de publicidade Evolução no final dos anos 80. É uma das minhas caricaturas mais queridas pois retrata muito mais o meu espírito de criança que mantenho até hoje do que o aspecto físico que eu tinha naquela época. Além do que foi beeeeem antes d'eu engordar, há 11 anos atrás. :-P

Os desenhos estão em ordem cronológica, portanto dá bem pra perceber a decrepitude da criatura... :-P