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terça-feira, 24 de janeiro de 2006

“O CORVO” (“The Raven”, 1963), de Roger Corman

Rating:★★★
Category:Movies
Genre: Cult
Direção: Roger Corman
Roteiro: Richard Matheson, baseado no poema de Edgar Allan Poe
Produção: Samuel Z. Arkoff, James H. Nicholson, Roger Corman / American International Pictures
Fotografia: Floyd Crosby
Montagem: Ronald Sinclair
Música: Les Baxter
Direção de Arte: Daniel Haller
Elenco: Vincent Price, Peter Lorre, Boris Karloff, Hazel Court, Jack Nicholson, Olive Sturgess, John Dierkes, William Baskin, Aaron Saxon, Connie Wallace

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Dr. Erasmus Craven: “Responda, monstro! Diga a verdade! Terei novamente nos braços aquela que os anjos chama Lenore?”
Corvo: “Como diabos eu posso saber? Por acaso sou algum adivinho?”

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Dr. Scarabus: "Nós dois sabemos muito bem, por nosso ofício e dedicação ao ocultismo, que nem tudo é o que parece ser"

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Peter Lorre sempre foi um ator extraordinário, mas que nem sempre teve reconhecimento a altura. Após sua magnífica performance como o patético assassino de crianças em “M – O Vampiro de Dusseldorf”, ele amargou ter que representar um espião japonês na série Mr. Moto. Porém – após alguns momentos em que lhe foi concedido exercitar seu talento, como em “O Falcão Maltês” e “Casablanca” – Roger Corman lhe abriu as portas para suas versões do universo de Edgar Allan Poe.

Reunidos pela primeira vez num filme, Peter Lorre, Vincent Price e Boris Karloff formam o triunvirato do horror em “O Corvo”. Bem, não exatamente do horror, já que o filme se equilibra o tempo todo entre a comédia burlesca e o terror gótico derivado das histórias de Poe e muito bem dirigido por Corman. Aliás aqui o roteirista Richard Matheson se esmerou em tirar leite de pedra, ao transformar o trágico poema de Poe numa aventura de magia que culmina com um duelo espetacular. Vincent Price e Boris Karloff se enfrentando com seus poderes sobrenaturais é um dos grandes momentos do cinema de terror dos anos 60 e de toda a carreira de Roger Corman, comparável às lutas entre Christopher Lee e Peter Cushing nos filmes de Drácula da Hammer.

Além disso “O Corvo” conta com duas presenças freqüentes em filmes de Roger Corman: um Jack Nicholson pós-adolescente, tendo o privilégio de contracenar com três monstros sagrados do gênero, e uma voluptuosa Hazel Court como a dama disputada entre os magos-mestres.

Divertido, fascinante e assustador apenas para criancinhas, “O Corvo” é daqueles filmes que sempre figuravam na programação noturna das emissoras de TV nos anos 70 e 80, nos fascinavam na infância e que infelizmente anda sumido das telinhas. E depois de ser lançado em DVD e exibido na TV a cabo, parece que se depender dos canais abertos, o corvo não dirá mais nada... nunca mais!


quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

“ESTE MUNDO É UM HOSPÍCIO” (“Arsenic and Old Lace”, 1944), de Frank Capra

Rating:★★★★
Category:Movies
Genre: Comedy
Direção: Frank Capra
Roteiro: Julius J. Epstein e Philip G. Epstein, baseado na peça teatral de Joseph Kesselring
Produção: Frank Capra, Jack L. Warner / Warner Bros.
Fotografia: Sol Polito
Montagem: Daniel Mandell
Música: Max Steiner
Direção de Arte: Max Parker
Elenco: Cary Grant, Priscilla Lane, Josephine Hull, Jean Adair, Raymond Massey, Peter Lorre, John Alexander, Jack Carson, John Ridgely, Edward McNamara, James Gleason, Grant Mitchell, Edward Everett Horton

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Mortimer Brewster (sobre suas tias envenenarem cavalheiros): “Isto está se tornando um péssimo hábito! Eu não sei se consigo explicar isso a vocês... não é apenas contra a lei, é errado!”

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Martha Brewster: "Um dos nossos cavalheiros conseguiu dizer 'que delícia!' antes de morrer."

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Dr. Einstein (rindo): “É maravilhoso, Johnny! Fomos caçados pelo mundo inteiro, e suas tias aqui no Brooklin fizeram tão bem quanto você... você matou doze, elas mataram doze!”

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Mortimer Brewster: "A insanidade corre solta pela minha família... praticamente galopa!"

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Frank Capra, o cineasta símbolo do otimismo hollywoodiano, deixou claro em sua obra que acreditava na bondade intrínseca do ser humano. Mas nem só de boa fé e ingenuidade era feito o seu cinema. Capra tinha um senso de humor peculiar e “Este Mundo É Um Hospício”, baseado na popular peça de Joseph Kesselring, foi um ótimo veículo para extravasar toda a morbidez, sarcasmo e humor negro que também corriam em suas veias de bom samaritano.

Martha (Jean Adair) e Abby Brewster (Josephine Hull) são duas aparentemente doces e respeitáveis velhinhas que se dedicam a envenenar pessoas idosas. O sobrinho delas, o solteirão convicto Mortimer (Cary Grant), acaba de se casar e está em preparativos para sair a viagem de lua de mel com sua esposa Elaine Harper (Priscilla Lane). Quando acham um corpo dentro de uma arca, a princípio pensam que foi obra de Teddy (John Alexander), o irmão de Mortimer que mora com as tias e que tem problemas mentais. Porém Teddy – que pensa ser o presidente Teddy Roosevelt – é inocente e costuma ajudar as tias “abrindo novas comportas para o Canal do Panamá” no porão da casa, onde elas enterram os corpos. De surpresa chega outro membro da família, o perigoso bandido procurado Jonathan Brewster (Raymond Massey, propositalmente com cara de Boris Karloff em "Frankenstein"), com seu assecla, o Dr. Einstein (Peter Lorre), e outro cadáver para complicar a história.

Frenético, hilariante, perverso e iconoclasta, “Este Mundo É Um Hospício” foi um grande sucesso na época do lançamento e com seu humor cáustico prova que não envelheceu, sendo mais feroz que muitas comédias modernas metidas a espertinhas.