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sábado, 15 de janeiro de 2005

"A NOITE AMERICANA" ("La Nuit Américaine", 1973), de François Truffaut

Rating:★★★★★
Category:Movies
Genre: Classics


Direção: François Truffaut
Roteiro: François Truffaut, Jean-Louis Richard, Suzanne Schiffman
Produção: Marcel Berbert / Columbia Pictures, Films du Carrosse, Productions et Editions Cinematographic Francaise, Produzione International Cinematografica, Warner Brothers
Fotografia: Pierre-Wiliam Glenn
Montagem: Martine Barraqué-Curie, Yan Dedet
Música: Georges Delerue
Direção de Arte: Damien Lanfranchi
Elenco: Jean-Pierre Léaud, Jacqueline Bisset, Valentina Cortese, Jean-Pierre Aumont, François Truffaut, Alexandra Stewart, Dani, Nathalie Baye, Gaston Joly, Jean Champion, Bernard Menez, Walter Bal, Jean-François Stévenin, Marcel Berbert, Christophe Vesque, David Markham

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"Fazer um filme é como atravessar o velho oeste numa diligência. No começo você espera fazer uma viagem agradável. A partir de um certo ponto você apenas reza para chegar vivo até o final."
(Ferrand, o diretor)

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Jacqueline Bisset foi minha primeira musa internacional, e ela sempre me faz lembrar três filmes. O principal deles é esta obra-prima do cinema mundial. Muitos críticos já esbanjaram a expressão "uma declaração de amor ao cinema" para caracterizar muitos filmes que não mereciam esse mérito. "A Noite Americana" é 'A' declaração de amor ao cinema por excelência. Considerado pelos críticos como o "Oito e Meio" de François Truffaut, o filme é a síntese de como ele via o cinema. Ex-delinquente juvenil, salvo da vida criminosa por sua paixão pelos filmes, Truffaut é - ao lado de Jean-Luc Godard, Alain Resnais, Claude Chabrol e Eric Rohmer - um dos fundadores do movimento conhecido como "nouvelle vague", surgido em 1959. Sua brilhante carreira se distanciou do experimentalismo de seu velho amigo Godard mas nunca perdeu a emoção, a delicadeza e a paixão, até sua morte precoce em 1984.

"A Noite Americana" mostra a realização de um filme, um longa-metragem chamado "Quero que Conheçam Pamela", do primeiro ao último dia de filmagem. Todos no set se entregam de corpo e alma ao trabalho. Jacqueline Bisset é Julie, que interpreta Pamela, Jean-Pierre Léaud é Alphonse, que faz seu noivo no filme dentro do filme. Jean-Pierre Aumont e Valentina Cortese são os atores que encarnam os pais do personagem de Alphonse. Além do elenco, toda a equipe de "...Pamela" vive intensamente cada minuto da filmagem, como a continuísta (Dani) que tem um caso com Alphonse e o trai nos bastidores com o dublê, ou a assistente Joelle (Nathalie Baye), que "trocaria um homem por um filme, mas jamais um filme por um homem".

O amor pela sétima arte transpira em cada cena de "A Noite Americana". E no meio de tudo isso está o diretor Ferrand (o próprio François Truffaut), que abre mão da vida particular para dedicar-se inteiramente ao seu filme. Até mesmo dormindo Ferrand não abandona o cinema: ele tem sonhos sucessivos de um garoto (Christophe Vesque), à noite, roubando lobby cards de "Cidadão Kane" no foyer de um cinema. Além disso ele tem que agüentar a pressão dos produtores e uma morte inesperada quase no fim das filmagens.

O título se refere a um efeito fotográfico que simula noite ao se filmar de dia, através do uso de filtros na câmera.

Cheio de referências reais e de histórias dos bastidores de outros filmes – inclusive alguns do próprio Truffaut –, "A Noite Americana" revela os truques e o cotidiano dos profissionais envolvidos numa filmagem, e mostra que são pessoas como quaisquer outras, com fraquezas, dúvidas, virtudes e sonhos, mas sobretudo com muita paixão pelo que escolheram fazer: dedicar suas vidas ao cinema. Para mim este é o melhor filme de François Truffaut e sem dúvida um dos melhores filmes de todos os tempos.

sábado, 8 de janeiro de 2005

"ASSASSINATO NO ORIENT EXPRESS" ("Murder on the Orient Express", 1974), de Sidney Lumet

Rating:★★★★
Category:Movies
Genre: Mystery & Suspense


Direção: Sidney Lumet
Roteiro: Paul Dehn, baseado no romance homônimo de Agatha Christie
Produção: Lord John Brabourne e Richard Goodwin / Paramount Pictures
Fotografia: Geoffrey Unsworth
Montagem: Anne V. Coates
Música: Richard Rodney Bennett
Direção de Arte: Jack Stephens, Tony Walton
Elenco: Albert Finney, Lauren Bacall, Ingrid Bergman, Sean Connery, Vanessa Redgrave, Martin Balsam, Richard Widmark, Jacqueline Bisset, Anthony Perkins, Jean-Pierre Cassel, Michael York, John Gielgud, Wendy Hiller, Rachel Roberts, George Coulouris, Colin Blakely, Dennis Quilley

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“Bianchi, Doctor, has it occurred to you that there are too many clues in this room?”
(Hercule Poirot)

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Sean Connery participou de excelentes filmes além de encarnar James Bond no cinema. E "Assassinato no Orient Express" é um deles. Sidney Lumet dirigiu esta adaptação impecável do romance de Agatha Christie, “a rainha do crime”, sobre um assassinato cometido a bordo do trem mais luxuoso do mundo em 1935.

O negociante aposentado Ratchett (Richard Widmark) recebe cartas anônimas ameaçadoras até que durante a viagem do Simplon Orient Express, enquanto o trem é detido pela neve, as ameaças se cumprem. Ele é descoberto em sua cabine com doze facadas no peito. Todas as pistas fazem crer que um mafioso se fez passar por funcionário do trem, invadiu a cabine, matou Ratchett e fugiu na neve. Porém o brilhante detetive belga Hercule Poirot (Albert Finney, próximo da perfeição aqui) está a bordo e “põe suas células cinzentas para funcionar”. Aturdido com o excesso de pistas, ele percebe que a solução não pode ser assim tão óbvia, que algo muito mais complexo se esconde por trás daquele crime, e com ajuda do Sr. Bianchi (Martin Balsam) – diretor da companhia e seu amigo pessoal – e de um médico grego (George Coulouris), Poirot interroga os passageiros e investiga seus passaportes e suas histórias. Os suspeitos são a tagarela Sra. Harriet Belinda Hubbard (Lauren Bacall), a missionária sueca Greta Ohlsson (Ingrid Bergman, ganhadora do Oscar de atriz coadjuvante pelo papel), o conde e a condessa Andrenyi (Michael York e Jacqueline Bisset), Hector MacQueen, secretário do morto (Anthony Perkins), o Sr. Beddoes, mordomo do morto (sir John Gielgud), a princesa Dragomiroff (Wendy Hiller) e sua dama de companhia Hildegarde (Rachel Roberts), a Srta. Mary Debenham, tradutora e secretária (Vanessa Redgrave), o Coronel Arbuthnot (Sean Connery), o condutor do trem Pierre Paul Michel (Jean-Pierre Cassel), o vendedor de carros italiano Antonio Foscarelli (Denis Quilley) e o Sr. Hardman, detetive particular (Colin Blakely).

Certamente “Assassinato no Expresso do Oriente” tem uma das tramas e situações do tipo “quem é o culpado” mais originais e surpreendentes da História da literatura e do cinema.

A trilha sonora de Richard Rodney Bennet é um presente à parte, com um tema de abertura vigoroso e que remete à década de 30, um belíssimo e empolgante tema do trem, e um lúgubre e apavorante tema de assassinato. Penei muitos anos até encontrar essa trilha em vinil, nos anos 80. Mais tarde descobri que já foi lançada em CD, mas é extremamente difícil de achar. Bem mais fácil é desvendar o assassinato de Ratchett.

A lembrar que a performace de Albert Finney na pele do mais famoso detetive de Agatha Christie, o afetado e vaidoso belga Hercule Poirot, é um dos melhores exemplos de adequação de um ator a um personagem. Tony Randall e Peter Ustinov que já encarnaram o papel que me desculpem, mas não chegam nem à sombra do Poirot de Finney, que é absolutamente perfeito. David Suchet, o Poirot da série de TV inglesa "Agatha Christie's Poirot", apresentado pelo canal Multishow, é seu sucessor natural, pois tem talento e um phisique du role muito próximo, mas não a ponto de tirar o posto de melhor Poirot já feito do perfeccionista Albert Finney. Se Hercule Poirot realmente existisse no mundo real, creio eu que seria exatamente como em "Assassinato no Orient Express".