quarta-feira, 20 de julho de 2005

CRACHÁ DO FOTÓGRAFO PETER PARKER

Category:   Tickets

Encontrado na Avenida Chile, no Rio de Janeiro, quando da passagem do Homem-Aranha por aqui. Crachá caiu do pescoço do herói aracnídeo. Então será que???...

Deixa pra lá.

Bem, devolvo ao dono ou aceito melhor recompensa.



GOLDEN TICKET de WILLY WONKA

Category:   Collectibles

Troco engradado lacrado de Gobstoppers Permanentes de Willy Wonka (foto 3) por um dos únicos cinco GOLDEN TICKETS existentes nas Barras de Chocolate Wonka.

URGENTE! QUESTÃO DE VIDA OU MORTE!

Preciso ter acesso à Fábrica de Chocolates Wonka a fim de encontrar minha filha desaparecida. Um mandato judicial não basta para por fim à carreira deste pervertido dos doces.

Além disso Wonka está sendo acusado por George Lucas - presidente do sindicato dos anões atores de Hollywood - de manter dezenas de Oompa Loopas em cárcere privado e sob trabalho escravo em sua fábrica de chocolates.


terça-feira, 19 de julho de 2005

FALCÃO MALTÊS

Category:   Collectibles

Estatueta de chumbo (eu disse CHUMBO, ok?) com cerca de 20 cm de altura, esculpida na ilha de Malta. Faço questão que esteja intacta, SEM NENHUM ARRANHÃO (afinal, é apenas chumbo, certo?).

Se aparecer uma mulher chamada Brigid O'Shaughnessy, um sujeito gordo de nome Kasper Gutman, um baixinho mal-encarado de olhos esbugalhados chamado Joel Cairo ou um detetive particular durão sempre com um cigarro na boca de nome Sam Spade, avise-os que já encontrou um comprador para o Falcão, e para eles caírem fora.

Pago em dólares americanos ou troco pelo espólio de Miles Archer.



ESTATUETA DE PAZUZU

Category:   Collectibles

Demônio assírio dos ventos. Dou preferência a peça antiga achada em escavação no Iraque. Pode ser apenas a cabeça de Pazuzu.

Só não me tragam um espírito de porco junto! Conseguir um bom exorcista hoje em dia dá muita dor de cabeça!

Troco por medalha antiga de São José.



ESFINGE DE BADEZIR

Category:   Collectibles

Também conhecida como a Esfinge do Gigante de Pedra. Só serve se vier com as inscrições fenícias "TYRO PHENICIA, BADEZIR PRIMOGENITO de JETHBAAL" em baixo relevo e o pergaminho da Íbis sagrada em seu interior.

Paga-se com um diamante cor-de-rosa.

Sigilo absoluto.

Para saber mais informações, veja aqui.



NÃO SAIA DE CASA SEM ELE


Quando éramos crianças e jogávamos Banco Imobiliário, todo mundo queria ter um cartão de saída livre da cadeia.


Hoje o quente é ter um habeas corpus preventivo.

segunda-feira, 18 de julho de 2005

Conto (8): "GATOS", de Oswaldo Lopes Jr.


 


O livro escorregou do seu colo e caiu no chão. O sr. Ballard continuou sentado com uma expressão desapontada nos olhos. Seus olhos lhe doíam. O volume adormecido aos seus pés esperava por uma reação - que não aconteceu. O homem cansou-se da leitura. Achou mais interessante estudar o eco provocado pela queda do livro. Cheirava aquele som. Depois de tantos anos, tantos séculos, seus sentidos misturavam-se. Era infantilmente divertido sentir o sabor da luz, ouvir o suave frio da tarde... cheirar o eco de um livro que cai. Importava-se mais com essa percepção instintiva do que em ler. Mesmo livros não adiantava mais. Aliás, nunca adiantara nada. Tinha passado toda a sua existência naquela casa e nunca tinha visto outro ser igual a ele.


Convivia, isso sim, com gatos. Gatos vagabundos que iam e vinham, faziam-lhe companhia e sumiam. Conhecera dezenas, centenas, milhares, milhões. Só gatos. Nunca os mesmos. Todos vinham e iam. Sempre. Deviam formar uma grande população se por acaso se encontrassem todos juntos. Se por acaso, bem longe dali, pois pelo que sabia, gatos miavam e nunca tinha sentido o cheiro de nenhum miado nas redondezas, em todo esse tempo. Os gatos surgiam do nada e voltavam para onde tinham vindo. Talvez como ele. Desde que surgira do nada pensava nisso. O sr. Ballard viu o pelo morno de Jones, um gato malhado muito esperto que o visitava ultimamente, roçando-lhe a perna da calça. O gato coleou preguiçosamente para a janela da frente e pulou sobre o parapeito. Olhava para o sr. Ballard e para fora seguidamente, como um convite. Um convite, uma reação que dessa vez aconteceu.


O homem levantou-se, dirigiu-se para a porta e ousou. Pela primeira vez na sua existência de séculos cruzava aquela soleira. Abriu a porta e, tardiamente, hesitou. A luz, a atmosfera exterior envolveu-o por completo e o sr. Ballard tombou sem emitir um som. A luz o sorveu, mastigou, comeu toda a carne do seu corpo.


Jones olhou sem espanto. Aproximou-se e cheirou o que sobrara daquele homem milenar. Nada especial. Virou-se e caminhou para o nada além da porta, talvez para junto dos outros da sua espécie. Já não fazia diferença para o sr. Ballard. Muito menos para os gatos.


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(Conto escrito há mais de 20 anos. Foto gatunada do fotolog http://www.fotolog.net/buntekuhs)