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Encontrado na Avenida Chile, no Rio de Janeiro, quando da passagem do Homem-Aranha por aqui. Crachá caiu do pescoço do herói aracnídeo. Então será que???...
Deixa pra lá.
Bem, devolvo ao dono ou aceito melhor recompensa.
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Quando éramos crianças e jogávamos Banco Imobiliário, todo mundo queria ter um cartão de saída livre da cadeia.
Hoje o quente é ter um habeas corpus preventivo.
O livro escorregou do seu colo e caiu no chão. O sr. Ballard continuou sentado com uma expressão desapontada nos olhos. Seus olhos lhe doíam. O volume adormecido aos seus pés esperava por uma reação - que não aconteceu. O homem cansou-se da leitura. Achou mais interessante estudar o eco provocado pela queda do livro. Cheirava aquele som. Depois de tantos anos, tantos séculos, seus sentidos misturavam-se. Era infantilmente divertido sentir o sabor da luz, ouvir o suave frio da tarde... cheirar o eco de um livro que cai. Importava-se mais com essa percepção instintiva do que em ler. Mesmo livros não adiantava mais. Aliás, nunca adiantara nada. Tinha passado toda a sua existência naquela casa e nunca tinha visto outro ser igual a ele.
Convivia, isso sim, com gatos. Gatos vagabundos que iam e vinham, faziam-lhe companhia e sumiam. Conhecera dezenas, centenas, milhares, milhões. Só gatos. Nunca os mesmos. Todos vinham e iam. Sempre. Deviam formar uma grande população se por acaso se encontrassem todos juntos. Se por acaso, bem longe dali, pois pelo que sabia, gatos miavam e nunca tinha sentido o cheiro de nenhum miado nas redondezas, em todo esse tempo. Os gatos surgiam do nada e voltavam para onde tinham vindo. Talvez como ele. Desde que surgira do nada pensava nisso. O sr. Ballard viu o pelo morno de Jones, um gato malhado muito esperto que o visitava ultimamente, roçando-lhe a perna da calça. O gato coleou preguiçosamente para a janela da frente e pulou sobre o parapeito. Olhava para o sr. Ballard e para fora seguidamente, como um convite. Um convite, uma reação que dessa vez aconteceu.
O homem levantou-se, dirigiu-se para a porta e ousou. Pela primeira vez na sua existência de séculos cruzava aquela soleira. Abriu a porta e, tardiamente, hesitou. A luz, a atmosfera exterior envolveu-o por completo e o sr. Ballard tombou sem emitir um som. A luz o sorveu, mastigou, comeu toda a carne do seu corpo.
Jones olhou sem espanto. Aproximou-se e cheirou o que sobrara daquele homem milenar. Nada especial. Virou-se e caminhou para o nada além da porta, talvez para junto dos outros da sua espécie. Já não fazia diferença para o sr. Ballard. Muito menos para os gatos.
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(Conto escrito há mais de 20 anos. Foto gatunada do fotolog http://www.fotolog.net/buntekuhs)