Diário de bordo 01-2-03-2005 da estação espacial OZ-65-RJ:Na noite de ontem, quando já estava prestes a me preparar para desligar o comunicador cibernético, passei na sala de estar da estação espacial e dei de cara com o maior pesadelo que qualquer cosmonauta que vaga por este espaço infinito poderia ter: um alien
face hugger me esperava camuflado no piso. Lá estava ele num canto da sala, imóvel, mas vivo, pronto para pular sobre mim e acabar com minha vida, deixando apenas as duas tripulantes felinas à deriva no espaço e à mercê de sua prole assassina que certamente sairia do meu ventre em um ou dois dias.
Como é de costume nessas situações, meus dedos dos pés se contraíram no limite da dor e senti a mão fria e pálida da irmã mais velha de Morpheus - a Morte - tocar meu ombro e sussurrar em meu ouvido "vamos?". Minhas pernas começaram a tremer como britadeiras e eu quase não conseguia me manter de pé. Mesmo sob uma enxurrada de adrenalina que fluía nas minhas veias, consegui atinar em pegar a haste de descarga elétrica e a pistola de gás venenoso para me defender da criatura.
Apesar de armado, com um objeto letal em cada mão, ainda hesitei em atacar o monstro, pois sabia que eles são imprevisíveis e que poderia mesmo assim investir contra mim, num movimento mais rápido que o meu, meus reflexos comprometidos pelo mais puro pânico.
Sem pensar muito, fui pra cima da criatura com uma fúria insana, alimentada por uma dose cavalar de adrenalina, pavor e ódio - tudo misturado. Para minha surpresa, o
face hugger foi rapidamente imobilizado e não resistiu ao poder da haste de descarga elétrica e logo paralizou, o que me deu chance de disparar a pistola de gás venenoso. O monstro sucumbiu em menos de 30 segundos.
Terminado o extermínio da nefasta criatura espacial, continuei em meus extertores musculares involuntários. Fui obrigado a tomar uma dose cavalar de comprimidos calmantes para ver se conseguia voltar ao controle. Consegui desligar os monitores, o centro de comunicação, mas larguei a haste elétrica ao lado dos despojos e mantive a pistola de veneno em punho, para caso outra criatura abominável surgisse de surpresa nos corredores da estação espacial.
Demorei a dormir, ainda sentindo o medo rondando minha mente. Talvez a pior coisa de se viver sozinho solto no espaço sideral seja não ter com quem contar numa hora dessas, mesmo que a coragem lhe falte num momento crucial como esse.
Hoje pousei, fiz o que tinha que fazer na Terra, e retornei ao meu lar intergalático. Porém o cadáver do monstro ainda jaz na minha sala e a aversão e o pavor que tenho por ele é tão imenso e involuntário que ainda não sei como fazer para defenestrá-lo no éter espacial.
Bem, agora vocês me dão licença, mas tenho que enfrentar o corpo de um demônio morto jazendo no chão da minha sala. E tenho que me livrar dele rápido antes que os pesadelos se tornem piores do que já foram de ontem pra hoje.
Câmbio, desligo.