domingo, 30 de janeiro de 2005

DOMINGO É DIA DE PESCARIA


Perdido em algum ponto dos anos 70
Eu pesquei esse baiacu
Não é conversa de pescador não
Fui eu mesmo, em Ibicuí
O dia todo dentro de um barco
Pescava muito cação, cocoroca e voador
Moréia e baiacu às vezes...
Peixe ruim pra se comer
Mas muito bom pra se bater bola
Especialmente a 30 metros de profundidade
Só de brincadeira, só de sarro, com minhas nadadeiras
Mergulhar de aqualung no fim da adolescência
Pescar em alto-mar do início da adolescência
Coisas maravilhosas e inesquecíveis de se fazer!
Prazeres imensos pra toda a vida!
(acho que essa semana vou comprar peixe na feira...)

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Esse texto ficou um lixo, mas juro que tentei fazer uma homenagem a Drummond e Clarice Lispector. Os dois devem estar rindo muito da minha cara onde quer que estejam. E com toda razão e propriedade. :-P

NÓS SEMPRE TEREMOS PARIS


"We'll always have Paris."
(Rick Blaine em "Casablanca")

Nunca saí do Brasil, mas já visitei a Torre Eiffel. Foi em 1989, no Aterro do Flamengo, durante as comemorações do bicentenário da Revolução Francesa, patrocinado pelo consulado da França. Para a festa ergueram esta réplica da famosa torre centenária, próxima ao obelisco de Mem de Sá. De noite, o bailarino Jorge Donn dançou o "Bolero" de Ravel aos pés da torre, como na cena final do filme "Retratos da Vida" (1981), de Claude Lelouch. O público lotou o Aterro.

A foto ficou meio escura porque não foi tirada exatamente na Cidade-Luz. E a torre era uma versão bem diminuta da original, com cerca de 30 metros de altura, porém uma réplica perfeita! Pena que ficou pouco tempo montada. Mas tudo bem.

Parafraseando Rick Blaine, nós sempre teremos pão francês no café-da-manhã. E croissants com camembert. Sem falar no abajour e no fecho eclair...

O FASCÍNIO DE DALI


SALVADOR DALI: "A TENTAÇÃO DE SANTO ANTÔNIO" (1946)

No início da minha adolescência descobri os quadros de Salvador Dali e Hyeronimus Bosch, e descobri também que eu não era o único que delirava sem precisar usar drogas. Essa pintura de Dali em particular me fascinou, quando fui na casa de uma tia do meu padrinho em BH e vi o poster na sala. Pedi licença, fotografei, e de volta ao Rio mandei ampliar até quase um metro de largura. Emoldurei e pus na parede do meu cubículo, ao lado de posters de filmes como "Um Passe de Mágica", "Jovem Frankenstein" e "Psicose 2". O cavalo e o elefante de pernas frágeis e longuíssimas são um paradoxo. Mas creio que foi o azul dominante da tela, a expressão do cavalo e a estátua da mulher nua o que mais me fascinava.

Quando passei dos 20 anos desencantei da arte de Salvador Dali e passei a preferir Miró, Van Gogh, Munch, Picasso, Kandinsky e Magritte, esse meu favorito até hoje. Porém Dali continua intrigante.

THE EAGLE HAS LANDED


A Apolo 11 pousou na lua no dia 20 de julho de 1969, e todo o mundo viu pela TV. "Um pequeno passo para um homem mas um grande salto para a Humanidade", como disse Neil Armstrong.

Eu tinha acabado de completar 4 anos e segundo meu pai não desgrudava os olhos daquela imagem em preto e branco na telinha do televisor de plástico verde e creme que a gente tinha em casa. Sua pegada no chão, a bandeirinha norte-americana, a Terra ao fundo. Tudo muito fascinante, ainda mais para uma criança que tinha acabado de ganhar um disco-voador bate-volta de brinquedo que piscava luzes coloridas.

Mas terá sido verdade?

Eu particularmente acredito que sim. Porém ainda tenho minhas dúvidas. Aquela história das sombras que vêm de fontes diferentes ainda não foi bem explicada. Bem, eu sei que prefiro deixar pra lá. A verdade está lá fora, mas aqui tá mais confortável. :-P

AH! Só deus sabe porque meu pai rabiscou "19-7-69" no alto da foto, e não 20-7. Não sei se foi por puro engano ou se ele já tinha visto os ensaios do evento antes e confundiu com a première mundial... hehehe!

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Foto tirada na frente da TV pelo meu pai, em julho de 1969.

CONCORDE ÜBER RIO


AEROPORTO INTERNACIONAL DO RIO DE JANEIRO, 1980 – O CONCORDE

Não, não é o quarto e último filme catástrofe da série "Aeroporto". É o supersônico franco-britânico Concorde mesmo, pousado em solo carioca, em 1980. Eu tinha 15 anos quando tirei essa foto, da sacada de observação do Aeroporto Internacional do Rio, quando ainda era a céu aberto. Como já disse antes, minha família por parte de pai é do Pará, e é muito grande, e toda vez que vinha um tio ou um primo de lá, meu pai levava todo mundo pra ver o Concorde pousar. Um insuspeito traço de personalidade paulistana num paraense que morava no Rio, hehehe! Mas o bicho era lindo mesmo, né? Pena que já foi aposentado.

E como diria Luiz Gustavo em “O Salvador da Pátria”, MENINOS, EU VI! Eu vi várias vezes e fotografei o Concorde na nossa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2005

O PEREGRINO SOBRE O MAR DE BRUMAS, de C. D. Friedrich


"O Peregrino Sobre o Mar de Brumas" ("Der Wanderer über dem Nebelmeer"), de Casper David Friedrich. Kunsthalle, Hamburg - 1818.

O pintor alemão Casper David Friedrich (1774-1840) era especialista em paisagens, e soube reproduzir em seus quadros a atmosfera mística e lúgubre tão em voga a partir do final do século XVIII.

Este é o quadro que mais gosto dele e representa muito para mim.

Conto (6): "A VOZ DA FELICIDADE", de Luís Fernando Veríssimo


- Alô?
- Aqui fala a Voz da Felicidade. Quem fala aí?
- Como?
- Aqui fala a Voz da Felicidade. A voz que leva a alegria ao seu dia-a-dia. Amaro Amaral, o rei do dial. O que está nas ondas e não é surfista, está no fio e não é equilibrista. O que leva a sorte ao seu lar pelo ar.
- Eu não estou entendendo...
- Como é o seu nome?
- É... é...
- Você não sabe o seu nome? Já vi gente mal-informada, mas a senhora leva o prêmio, hein?
- Não, é que...
- Não leve a mal. É Amaro Amaral, o homem do coisa e tal. Alegria não paga imposto. Diga lá. Já lembrou o seu nome?
- É Maria.
- A da sapataria? Estou brincando. Coisa e tal. Bom-dia, dona Maria!
- Bom-dia. Eu...
- Quando é que a mulher tira a roupa mais depressa?
- O quê?
- É uma charada, dona Maria. Responda num minuto e ganhe um colchão Celeste, nuvem anatômica. O relógio está correndo. O relógio está fazendo Cooper. A senhora tem 40 segundos.
- É que... Estou meio...
- Trinta segundos, dona Maria. O relógio foi correndo até a esquina e já está voltando. A senhora estava dormindo, dona Maria? A essa hora? Que voz de sono! O sol está brilhando e Amaro Amaral está cantando. "O sole mio, e coisa e tal..." Está bem, dona Maria, eu paro. Como é, e a charada?
- Eu...
- Vou lhe dar outra chance de ganhar umm colchão Celeste, nuvem anatômica, onda dá para dormir até de olhos fechados. Já que a senhora gosta tanto de dormir, não é, dona Maria? Estou brincando. Posso repetir, dona Maria?
- Sim, é que...
- Quando é que a mulher tira a roupa mais depressa? Cuidado com o que a senhora vai responder, dona Maria. Este é um programa de família.
- Programa?
- Nós estamos no ar, dona Maria. A Voz da Felicidade, com Amaro Amaral, o baixinho alto astral. Diga lá. A senhora tem mais um minuto. Acorda, dona Maria!
- É que eu estou meio zonza. Tomei uns comprimidos...
- O que é isso, dona Maria? Alegria não se compra em farmácia. Coisa e tal. E a charada?
- Tomei o vidro inteiro. Queria me matar.
- Não me diga isso, dona Maria! Que coisa feia. O mundo é tão bom.
- Não é não.
- Dona Maria, me dê o seu endereço que eu vou mandar um médico aí.
- Não, eu...
- Olha aí, produção. Vamos checar o número de telefone da dona Maria e descobrir o endereço dela. Dona Maria, por que a senhora fez isso? A senhora tem família, dona Maria? Como é o seu nome todo?
- Solidão...
- Maria Solidão. Olha aí, família Solidão, vamos dar uma mão.
- Há um ano que eu espero esse telefone tocar. Um ano. Hoje ele toca e...
- É a Voz da Felicidade, dona Maria, Ammaro Amaral, seu amigo matinal. Dona Maria, a senhora está me ouvindo?
- Mais ou menos.
- Não desligue, dona Maria! Nós vamos ajudá-la. Atenção, dona Maria. Sensacional. Acabam de me passar um bilhete do patrocinador dizendo que a senhora não precisa responder a charada. Já ganhou o supercolchão Celeste, nuvem anatômica. Veja só o que a senhora ia perdendo, dona Maria. O mundo é bom.
- Um ano sem tocar...
- Alô, dona Maria. Para onde a gente manda o colchão? Eu mesmo vou aí entregar o colchão, dona Maria. Amaro Amaral, seu amigo matinal. Coisa e tal. Nos dê seu endereço que...
- Solidão...
- Atenção. Acabo de ser autorizado pelo meus patrocinadores a revelar a resposta da charada. A senhora vai saber a resposta da charada e ainda ganha um super Celeste, nuvem anatômica, no mole. Tome nota dona Maria. Não desligue.
- Um ano... Nada... Ninguém...
- Não desligue, dona Maria. Mas ainda não descobriram essa porcaria de endereço? Atenção, dona Maria. A charada era, quando é que a mulher tira a roupa mais ligeiro. A resposta é, quando começa a chover. A mulher vai correndo tirar a roupa do varal. Entendeu, dona Maria?
- Ahn...
- A mulher vai correndo... Alô, dona Maria? Dona Maria?
- (Clic)


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Este conto foi transformado num curta-metragem em 1987 pelo diretor Nelson Nadotti, com a saudosa Isabel Ribeiro e Pedro Santos. Foi o melhor curta do Festival de Gramado de 1988, ganhando também os prêmios de melhor ator e atriz.