sábado, 18 de abril de 2009

ISLAND DAYS

Start:     Apr 18, '09 03:00a
End:     Apr 23, '09






Se alguém notar minha ausência nos próximos dias é porque estarei passando o feriadão com amigos numa aprazível ilha, pescando, fazendo barbatanas de papelão, atirando tripas de peixes e sangue na água, colocando cartazes de "proibido nadar por ordem da polícia de Amity" na areia, tirando fotos ao lado de peixes enormes pendurados no cais, velejando num canal seguro, mergulhando de madrugada perto de barcos em pedaços pra achar despojos humanos...essas coisas corriqueiras que os ilhéus costumam fazer em estações de veraneio. :-)

BOM FERIADO A TODOS!

terça-feira, 14 de abril de 2009

HÁ 97 ANOS...

Start:     Apr 14, '09 11:45p
End:     Apr 15, '09 02:30a
Location:     No fundo do Atlântico norte, a 4 quilômetros e meio de profundidade


Às 23:40 da noite de 14 de abril de 1912, o R.M.S. TITANIC raspava o casco a toda velocidade num iceberg no mar gelado do Atlântico norte, próximo à costa do continente norte-americano. Duas horas e quarenta minutos depois ele ia ao fundo, matando cerca de 1515 pessoas a bordo, no maior naufrágio em tempos de paz que se tem notícia até hoje. Como ficou conhecido um dos livros mais famosos e detalhados sobre a tragédia, escrito por Walter Lord, foi uma noite a ser lembrada ("A Night to Remember"). Por mim especialmente, que desde criança tenho uma relação intrínseca de fascínio quase sobrenatural com esse navio.

Que descansem em paz.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

CINEMA DE PAPEL (Parte 5) - DO FUNDO DA CRIPTA

CINEMA DE PAPEL (Parte 5) – DO FUNDO DA CRIPTA

Oswaldo Lopes Jr.

 

(Matéria escrita para a revista VEREDAS # 28 do Centro Cultural Banco do Brasil em abril de 1998, e republicada aqui na VALISE DE CRONÓPIO em oito partes)

 

 

Os anos 50 trouxeram a Era Atômica, a Guerra Fria, o macartismo e as revistas de terror da EC Comics. Violência gráfica e muito humor negro para combater a paranóia desenfreada e a repressão política. Tales From the Crypt, Vault of Horror, Weird Science e outros títulos chocaram a sociedade e foram rapidamente contidos, com uma ação direta da Comissão Warren de “caça aos comunistas”. É Bem verdade que os monstros, zumbis e psicopatas da EC comiam criancinhas, mas não rezavam pela cartilha de Kruchov ou Mao Tsé-Tung.

 

Após o fim dos títulos de terror da editora, sua chama foi mantida acesa nos anos 70 pela produtora inglesa Amicus, com dois filmes de episódios, nos anos 80 pelo diretor George Romero com o brilhante Creepshow, e nos anos 90 pela emissora de TV HBO, com o seriado Tales From the Crypt (que chegou a render dois longas para o cinema). Os filmes da Amicus são eficazes como gênero mas se mantém impermeáveis à forma dos quadrinhos. Entretanto, Creepshow é uma das mais importantes simbioses entre as duas artes já feitas no cinema, um autêntico “cine-gibi”, com cortes que simulam páginas virando, onomatopéias e cenários que reproduzem os quadros e splashes dos quadrinhos. Além disso, a história toda se passa dentro de uma revista de terror e mantém o impacto visual das atrocidades da velha e boa EC Comics.

 

Quase tão essencial quanto Creepshow, mas feita para a TV, é a série Tales From the Crypt (exibida no Brasil pela Bandeirantes há uns anos atrás com o título de Contos da Cripta). O produtor Joel Silver (“Duro de Matar”) e os diretores Richard Donner (“Superman – O Filme”, “Máquina Mortífera”), Robert Zemeckis (“Uma Cilada Para Roger Rabbit”, “Forrest Gump”) e Walter Hill (“Warriors, os Selvagens da Noite”, “48 Horas”) se reuniram com a intenção de adaptar cada história de terror da lendária editora para a telinha. O resultado foi uma grande antologia que às vezes erra na mão mas que, no conjunto, satisfaz plenamente aos fãs de quadrinhos.

 

 

A SEGUIR... O “ESPÍRITO DA COISA”.

 

CINEMA DE PAPEL (Parte 4) - HERÓIS DE SÁBADO À TARDE

CINEMA DE PAPEL (Parte 4) – HERÓIS DE SÁBADO À TARDE

Oswaldo Lopes Jr.

 

(Matéria escrita para a revista VEREDAS # 28 do Centro Cultural Banco do Brasil em abril de 1998, e republicada aqui na VALISE DE CRONÓPIO em oito partes)

 

 

O tempo foi passando e o cinema e as HQs continuaram inseparáveis. A década de 30 viu surgir um batalhão de heróis de aventuras nas páginas dos jornais. Os produtores de Hollywood logo enxergaram o seu potencial e trataram de adaptá-los para as telas. Flash Gordon, de Alex Raymond, Dick Tracy, de Chester Gould, Mandrake e Fantasma, de Lee Falk, entre outros, viraram seriados de cinema, um formato que já vinha fazendo sucesso na época, com episódios curtos exibidos nas matinês de fins de semana.

 

Em 1938, Jerry Siegel e Joe Shuster criaram o primeiro herói mais rápido que uma bala e mais poderoso que uma locomotiva, revolucionando a hierarquia dos defensores da lei e o mercado dos quadrinhos. Um ano depois Bob Kane foi buscar inspiração numa invenção de Leonardo da Vinci, no filme “The Bat” e em personagens como o Zorro e o Sombra para moldar o seu sinistro herói vestido de morcego. Sem demora, Superman e Batman também voaram para as matinês de cinema, consolidando o formato. As roupas dos heróis eram ridículas e espalhafatosas, os vilões eram caricatos, as cenas de perigo eram nitidamente artificiais, mas nada disso importava. Na verdade, muitos desses detalhes eram uma perfeita transposição para as telas da linguagem das HQS, o que ajudava a lotar as salas de exibição de crianças e adultos ávidos por ação e aventura. Na verdade, foi um momento glorioso para ambas as formas de arte. O cinema começava a formar um público cativo, fanático por um tipo de filme que ia buscar nas comic books sua matéria-prima. Os seriados fizeram tanto sucesso que duraram até meados dos anos 50.

 

Em 1940, as linguagens do cinema e das HQs evoluíram sensivelmente com o lançamento de duas obras: Cidadão Kane, o filme de Orson Welles, e The Spirit, personagem de quadrinhos de Will Eisner. Esses jovens revolucionários mudaram vários conceitos de forma e narrativa, como a profundidade de campo e movimentos de câmera considerados impossíveis (Welles) ou a ousadia no uso de títulos, onomatopéias, bordas e enquadramentos (Eisner), lançando um novo olhar e uma nova perspectiva às duas linguagens. Além de obras-primas, Kane e Spirit foram verdadeiros divisores de águas, influenciando todos os seus sucessores.

 

 

A SEGUIR... DO FUNDO DA CRIPTA.

 

domingo, 22 de março de 2009

Sheena Easton - Morning Train (Nine To Five)




Sheena Easton - antes de estourar com o tema de James Bond "For Your Eyes Only" - já fazia sucesso com essa canção. Canção essa que marcou várias noites de fossa pela minha primeira grande paixão de adolescência, entre o final dos anos 70 e início dos 80. A música em si não é lá grandes coisas, mas só de ouvir a melodia do refrão meus aurículos e ventrículos cardíacos já batem descompassados pela nostalgia daqueles tempos. Pena que o clipe original não está inteiro, mas enfim, é apenas mais uma recordação emocional guardada num baú empoeirado de memórias... :-)

sábado, 14 de março de 2009

CINEMA DE PAPEL (Parte 3) - TRADUÇÃO, MONTAGEM E BOM SENSO

CINEMA DE PAPEL (Parte 3) – TRADUÇÃO, MONTAGEM E BOM SENSO

Oswaldo Lopes Jr.

(Matéria escrita para a revista VEREDAS # 28 do Centro Cultural Banco do Brasil em abril de 1998, e republicada aqui na VALISE DE CRONÓPIO em oito partes)


Assim como nas adaptações literárias, não existe uma receita de sucesso ou mesmo um conjunto de regras preestabelecidas quando se leva uma história em quadrinhos para a tela grande. Os dois únicos mandamentos são: encontrar os signos cinematográficos que melhor traduzem os signos das HQs e – acima de tudo – ter bom senso. Batman, de Tim Burton*, nos fornece um bom exemplo do primeiro mandamento. Nos gibis, o Homem-Morcego usa uma roupa colante cinza com máscara e capa azuis. Num mundo de carne e osso, alguém vestido assim causaria ataques de riso. Qual seria a melhor tradução dessa indumentária no celulóide?

É preciso analisar a intenção de Bruce Wayne ao se vestir assim. Esgueirar-se nas sombras, impressionar e causar medo nos criminosos. Nesse caso, não caberia melhor uma roupa negra, em material que misture borracha e couro? Foi essa a interpretação do figurinista Bob Ringwood para o filme. Já O Justiceiro* ignora o visual essencial do personagem da Marvel Comics e deixa Dolph Lundgren sem a famosa camiseta preta com a efígie estilizada da caveira, tão adorada por metaleiros e skatistas. Respeitar o phisique du role de um personagem que se pretende adaptar para o cinema faz parte do segundo mandamento. Pode até não ser essencial em alguns casos, mas ajuda um bocado. Afinal, mesmo reconhecendo o grande talento de Nicholas Cage, quem vai se convencer com um Superman careca e com cara de carcamano? Só mesmo o iconoclasta Tim Burton, que já colocou o baixinho e apagado Michael Keaton no comando do batmóvel.

Falando de linguagem, não podemos esquecer que o cinema e as histórias em quadrinhos são as únicas formas de arte que compartilham a montagem – um elemento gramatical básico a toda e qualquer forma de narrativa visual. É lógico que sua aplicação é diferente em cada uma delas. No cinema é essencialmente a junção de dois planos, dois pedaços de filme, dando-lhes um ritmo e/ou um novo sentido. Nos quadrinhos é a diagramação, a sucessão de quadros e de páginas, também trazendo um ritmo e um sentido à história.

Um dos segredos de uma boa adaptação é saber dominar a montagem – manter, enfim, o ritmo da história. Fazer com que o espectador sinta estar folheando uma revista. Sem descuidar, naturalmente, da fotografia, pois aqui a linguagem narrativa a ser adaptada também é visual. Uma boa iluminação, os enquadramentos apropriados, o uso adequado de grandes angulares (lembre-se que heróis de papel vivem num mundo de fantasia, não realista), chicotes de câmera, etc. Para se fazer um “cine-gibi” eficiente não basta ter um arsenal de recursos: é preciso, acima de tudo, saber usá-lo com muito bom senso.

A SEGUIR... HERÓIS DE SÁBADO À TARDE.


* Apenas lembrando que este texto foi escrito antes das versões mais recentes de Batman e do Justiceiro, mais fiéis aos seus personagens de papel - especialmente o anti-herói da Marvel.